O uso de antes e depois na odontologia não é uma liberação irrestrita. A Resolução CFO 196/2019 regulamentou a divulgação de imagens relativas ao diagnóstico e ao resultado final de tratamentos, mas estabeleceu limites importantes sobre quem pode publicar, quais imagens podem ser usadas e quais cuidados precisam ser observados.
Em 2025, o próprio Conselho Federal de Odontologia voltou a reforçar publicamente a vigência da Resolução 196/2019 e suas regras para redes sociais.
Este conteúdo é informativo. Em caso de dúvida sobre uma situação específica, confirme a interpretação com o CRO da sua jurisdição.
Antes e depois é permitido?
O CFO esclarece que a divulgação de imagens do diagnóstico e da conclusão do tratamento é permitida dentro das condições da Resolução 196/2019. Isso é diferente de dizer que qualquer formato de “antes e depois” está liberado.
Fonte oficial: Resolução CFO 196/2019.
Quem pode publicar?
Segundo o esclarecimento do CFO, a divulgação dessas imagens está vinculada ao cirurgião-dentista que realizou o procedimento. A resolução não autoriza indiscriminadamente pessoas jurídicas, como clínicas, a publicar imagens de diagnóstico e resultado final como se fossem do próprio estabelecimento.
É necessário consentimento?
Sim, quando o paciente é identificável ou sua imagem é utilizada, a autorização precisa ser prévia e expressa. O CFO orienta o uso de Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.
No caso de menores de idade, a autorização deve ser emitida pelo responsável legal.
O nome e o CRO do profissional devem aparecer?
O CFO reforça que, nas imagens divulgadas dentro da Resolução 196/2019, deve constar a identificação do profissional que realizou o procedimento e sua inscrição no respectivo CRO.
O que é considerado “antes”?
O “antes” corresponde à imagem relacionada ao diagnóstico ou situação inicial documentada pelo profissional.
A publicação precisa fazer sentido clínico e informativo, não ser apenas um recurso de choque visual.
O que é considerado “depois”?
O “depois” corresponde à conclusão do tratamento realizado pelo próprio profissional responsável pela divulgação.
Posso mostrar o procedimento acontecendo?
O CFO reforça que imagens e vídeos do transcurso ou realização do tratamento não devem ser usados em publicidade profissional. Conteúdo de “antes, durante e depois” não é equivalente ao formato regulamentado de diagnóstico e resultado final.
E vídeos de cirurgia?
Conteúdos que exibem transcurso do procedimento, tecidos, instrumentais ou situações clínicas sensíveis exigem atenção especial. O CFO diferencia a divulgação promocional do uso científico e acadêmico.
Posso publicar pela conta da clínica?
Esse é um dos pontos mais importantes. O esclarecimento oficial do CFO sobre a Resolução 196/2019 afirma que a divulgação de imagens de diagnóstico e resultado final é permitida ao próprio cirurgião-dentista que realizou o procedimento, não à pessoa jurídica de forma indistinta.
Se a estratégia de marketing utiliza um perfil institucional da clínica, vale validar previamente com o CRO como estruturar essa comunicação.
Posso usar a imagem em anúncio pago?
O fato de uma imagem poder ser publicada em determinado contexto não significa automaticamente que qualquer uso em mídia paga seja adequado. Além das regras do CFO, entram políticas da plataforma, consentimento, direito de imagem e proteção de dados.
Antes e depois pode prometer resultado?
Não. Uma imagem de resultado individual não deve ser apresentada como garantia de que outros pacientes terão resultado equivalente.
Evite linguagem como “resultado garantido”
Cada paciente possui condições clínicas, hábitos, anatomia e resposta individual. A comunicação precisa deixar espaço para essa variabilidade.
Cuidado com sensacionalismo
O CFO reforça que a publicidade não deve caracterizar sensacionalismo, autopromoção excessiva, concorrência desleal ou mercantilização da Odontologia.
Não edite imagens de forma enganosa
Alterações de iluminação, cor, enquadramento ou edição que modifiquem artificialmente a percepção do resultado podem comprometer a transparência.
Use padronização fotográfica
Quando houver documentação clínica, padronizar ângulo, iluminação e distância ajuda a evitar comparações distorcidas e melhora a qualidade do registro.
Não transforme todo o perfil em antes e depois
Mesmo quando a publicação é permitida, uma estratégia baseada exclusivamente em resultados visuais pode enfraquecer educação e autoridade.
Combine com conteúdos explicativos, dúvidas frequentes, prevenção e apresentação do processo.
Alternativas ao antes e depois
A clínica pode produzir:
- animações explicativas;
- vídeos educativos;
- explicações sobre indicação;
- perguntas frequentes;
- conteúdo sobre planejamento;
- bastidores sem exposição de pacientes.
Reels informativos
Veja nosso guia de Reels para dentistas para criar conteúdo educativo sem depender de imagens clínicas.
Antes e depois e LGPD
Imagens e informações associadas a tratamento podem revelar dados pessoais e informações de saúde. Por isso, além do Código de Ética, a clínica precisa considerar proteção de dados.
Veja marketing odontológico e LGPD.
Checklist antes de publicar
- o procedimento foi realizado pelo profissional que fará a divulgação?
- há autorização prévia e adequada?
- o profissional está identificado corretamente?
- a publicação mostra apenas diagnóstico e resultado final, e não o transcurso?
- há promessa de resultado?
- a edição da imagem é fiel?
- o canal e o formato estão de acordo com as regras atuais?
Consulte sempre a regra vigente
O CFO criou em 2025 um grupo para estudar atualizações do capítulo de anúncio, propaganda e publicidade do Código de Ética. Por isso, conteúdos sobre esse tema precisam ser revisados periodicamente.
Conclusão
Antes e depois na odontologia pode ser utilizado em condições específicas, mas não é uma autorização ampla para qualquer profissional, clínica, imagem ou anúncio.
O caminho mais seguro é observar a Resolução CFO 196/2019, as orientações atualizadas do CFO/CRO, obter autorizações adequadas e evitar promessas, sensacionalismo ou exposição indevida do paciente.